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Catarata - Não fique no escuro

"A lente responsável pelo foco da imagem na retina dentro do olho pode, por diversos motivos, tornar-se opaca. Quando isso ocorre, aos poucos, a pessoa vai perdendo a visão. A boa notícia é que a catarata, como é chamado a opacificação do cristalino, tem tratamento. A técnica cirúrgica é moderna, rápida, mas exige experiência do médico. Na grande maioria dos casos, o paciente volta a enxergar as cores e as formas à sua volta com maior clareza".



Principal causa de cegueira no mundo e no Brasil, a catarata pode ser tratada por meio de processo cirúrgico. Estima-se a existência de mais de 350 mil brasileiros cegos em decorrência da catarata, que afeta a maioria das pessoas acima dos 60 anos. Casos em que o paciente apresenta outras doenças oculares associadas à catarata, como o glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular, nem sempre são reversíveis.



A catarata caracteriza-se pela opacificação da lente interna do olho, chamada cristalino, responsável por focar as imagens dos objetos na retina. Além da função principal de lente focalizadora, o cristalino também tem papel importante como filtro que bloqueia parte da radiação ultravioleta nociva ao olho. Quando a pupila de uma pessoa com catarata se dilata, o olho fica com uma aparência esbranquiçada. Isso ocorre porque seu cristalino está opaco.

A catarata é considerada a maior causa de cegueira no mundo. A cegueira causada pela catarata pode ser reversível nos casos em que não há outras doenças oculares associadas, como a degeneração macular, a retinopatia diabética e o glaucoma. O professor de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intra-Oculares, Fernando Cançado Trindade, explica que nesses casos a recuperação visual é parcial, pois tais enfermidades, geralmente, comprometem a visão dos pacientes de forma irreversível.



A opacificação do cristalino ocorre como um fenômeno natural do envelhecimento, após os 60 anos de idade, sem causa aparente e em ambos os sexos. Recebe, nesses casos, o nome de catarata senil e apresenta excelente prognóstico visual, na grande maioria dos casos, quando não existem doenças oculares associadas, tais como degeneração macular, retinopatia diabética, glaucoma etc.

A catarata pode também ter origem traumática, sendo causada por um acidente de automóvel, a explosão de dinamite, entre outras situações. A evolução da catarata traumática vai depender da extensão e da gravidade do trauma ocular.

O cristalino pode se tornar opaco em decorrência de algumas doenças oculares, como em casos de inflamações intra-oculares (uveítes) ou descolamento de retina, entre outros casos. Essas são as chamadas cataratas complicadas. A recuperação da visão vai depender da gravidade da moléstia ocular que originou a opacificação do cristalino.

Já a catarata patológica está associada a alguns distúrbios do metabolismo, como o diabetes. A recuperação após a cirurgia vai depender das condições gerais do olho.



O tratamento da catarata é cirúrgico. Não existe, atualmente, tratamento clínico comprovado cientificamente. Se não for tratada, a catarata evolui para a perda total da visão.A cirurgia promove a reabilitação visual na grande maioria dos casos.



A cirurgia de catarata consistia, há alguns anos, na extração do cristalino opaco por meio de uma incisão grande, superior a 12 mm de extensão. Era necessário dar pontos no local da incisão. O olho ficava bastante frágil após a cirurgia. Não existia implante de lente intra-ocular e os pacientes precisavam usar óculos grossos, como "fundo-de-garrafa" para voltarem a enxergar.

A cirurgia moderna da catarata consiste na substituição do cristalino natural opaco pelo cristalino artificial transparente, também chamado de lente intra-ocular, que pode ter o grau necessário para corrigir o déficit visual do paciente.

O cristalino é uma lente biconvexa, com aproximadamente 10 mm de diâmetro e 4 mm de espessura. Faz-se uma incisão minúscula na periferia da córnea (parte que recobre a íris), de aproximadamente 3 mm de extensão. Nesse local não existem vasos sangüíneos, por isso não há sangramento. Através dessa pequena incisão, é introduzido um aparelho que vai triturar e aspirar todo o cristalino opaco. A ponta desse equipamento vibra cerca de 45 mil vezes por segundo. A única parte não removida é uma membrana finíssima que reveste o cristalino, chamada de cápsula. Esse envelope capsular remanescente servirá de apoio para a lente intra-ocular que será implantada. A espessura da região posterior dessa cápsula é da ordem de 0,004 mm.

O cirurgião de catarata necessita de microscópio cirúrgico para fazer sua remoção. As estruturas intra-oculares são minúsculas, impossíveis de serem visualizadas a olho nu ou com auxílio de uma lupa. Esse processo de fragmentação e aspiração da catarata recebe o nome de facoemulsificação e é a técnica cirúrgica de supressão do cristalino opaco mais avançada na atualidade.

Uma vez removida a catarata, implanta-se, pela mesma incisão, a lente intra-ocular no local exato onde estava o cristalino opaco. Existem centenas de modelos de lentes intra-oculares, de vários materiais, de inúmeras procedências e de custo variado. As lentes intra-oculares mais modernas são flexíveis. Há também vários tipos e modelos de aparelhos de facoemulsificação, uns mais sofisticados e com mais recursos que outros.

As incisões atuais não requerem pontos, permite uma reabilitação visual mais rápida, pós-operatório mais seguro, devido à melhor integridade ocular proporcionada pela técnica. A cirurgia de catarata é executada com anestesia local e, quando possível, somente com colírio anestésico. A cirurgia é relativamente rápida (cerca de 15 minutos) e não demanda internação do paciente.



A cirurgia da catarata é um dos procedimentos cirúrgicos mais empregados no mundo. Dados da Sociedade Americana de Catarata e de Cirurgia Refrativa demonstram que foram realizadas nos Estados Unidos, em 2001, mais de 2 milhões de cirurgias de catarata, sendo que a facoemulsificação representou mais de 90% dos casos. No Brasil, no mesmo período, foram feitos por volta de 450 mil procedimentos, cerca de 50% pela facoemulsificação, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intra-Oculares.

A cirurgia deve ser indicada quando o benefício que a mesma possa proporcionar suplantar os eventuais riscos. Como qualquer outro procedimento cirúrgico, a facoemulsificação apresenta também limitações e riscos. Nem sempre a cirurgia devolve 100% a capacidade de visão e pode causar problemas quando não for bem conduzida pelo profissional.

Cabe ao cirurgião ocular orientar o paciente e seus familiares a esse respeito. O paciente deve ter o máximo cuidado no pós-operatório, evitando, na primeira semana, situações que possam comprometer a cirurgia, tais como, infecção ou traumatismo. "Deve-se seguir à risca as recomendações e prescrições fornecidas pelo cirurgião, assim como comparecer às consultas pós-operatórias marcadas", orienta o médico Fernando Cançado. Em caso de dúvida, o paciente deve recorrer imediatamente ao serviço onde foi feita a cirurgia.

Apesar da facoemulsificação ser um procedimento cirúrgico utilizado rotineiramente nos grandes centros e mesmo em algumas cidades do interior, não pode ser considerada uma cirurgia simples. "É um procedimento cirúrgico extremamente delicado, que depende de tecnologia sofisticada, de um cirurgião com conhecimento teórico, experiência e habilidade manual. É preciso ter máxima concentração e equilíbrio emocional, pois, não somente a visão como também a qualidade de vida do paciente para os próximos anos ou mesmos décadas vão depender daquele curto intervalo de tempo no bloco cirúrgico durante a cirurgia da catarata", afirma o médico. Por isso, é fundamental a escolha do profissional e do local onde será feita a cirurgia.



"Deve-se abandonar de vez aquele antigo conceito de deixar a catarata amadurecer para depois operá-la, pois, quanto mais cedo for feita a cirurgia, mais seguro e rápido será o procedimento e mais precoce a reabilitação visual", orienta Fernando Cançado.

 

Fonte: Artigos de Saúde da Internet

 
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Decisões relacionadas a tratamento de pacientes devem ser tomadas por profissionais autorizados, considerando as características de cada paciente.

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