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Dengue: Um dos Flagelos do Século

Espalhada por todo o mundo, principalmente nas áreas tropicais, a dengue vem se mostrando um dos flagelos do século. Se medidas de saneamento e de cooperação entre países não forem tomadas, e com o calor reinando cada vez maior sobre a Terra, o problema tende a se intensificar. No entanto, se os governos intensificarem as pesquisas e as medidas de prevenção, o Aedes egypti pode, dentro de alguns anos, até mesmo desaparecer.

 

O que é e como se transmite

 

A dengue é uma doença de incidência variável, dependendo da atividade epidêmica, relata o NCID. Ela é caracterizada como dengue e dengue hemorrágica, esta última com 5% de casos fatais. Embora não deixe seqüelas, se não tratada em tempo pode trazer complicações sérias para o organismo. Seu agente etiológico é o flavivírus e o mosquito que a transporta, chamado mosquito vetor, é o Aedes aegypti.

 

Há quatro tipos sorológicos (1, 2, 3 e 4) do vírus, da família Flaviviridae, do gene flavivírus, que podem causar a dengue e a dengue hemorrágica. David Beasley, da Queensland University of Technology, Austrália, explica que esses tipos de vírus são intimamente ligados, compartilham a mesma estrutura, o mesmo arranjo de genoma e os mesmos tipos de proteína.

 

Se uma pessoa for atacada por um desses quatro tipos, ela não fica imune aos demais, o que significa que pode se contaminar de quatro maneiras diferentes durante sua vida.

 

A dengue é principalmente uma doença dos trópicos e os vírus que a causam são mantidos em um ciclo que envolve humanos e o Aedes egypti.

 

O mosquito Aedes egypti é escuro, de pintas brancas, com um uma boca alongada como uma agulha. Ele se alimenta em humanos e é durante essa atividade de alimentação que o mosquito inocula no corpo o vírus da dengue.

 

Confundida com outras doenças, a dengue pode ser eventualmente diagnosticada como uma gripe, malária, febre tifóide, leptospirose, e até mesmo com sarampo e febre escarlate.

 

História da Dengue

 

A primeira epidemia de dengue aconteceu no século dezoito na Ásia, África e América do Norte, segundo o NCID - National Center for Infectious Diseases, órgão pesquisador da dengue nos Estados Unidos. Este órgão entende que a ocorrência quase simultânea de eventos nos três continentes é um indicador de que o vírus e seu mosquito vetor têm uma ampla distribuição nos trópicos há mais de 200 anos. Durante todo esse tempo, a febre da dengue foi considerada benigna, uma doença não fatal para os visitantes dos trópicos.

 

A doença ocorria a intervalos de 10 a 40 anos, pois o mosquito só era transportado entre populações de navios mercantes. No entanto, depois da II Guerra Mundial, intensificou-se a dengue na Ásia, expandindo-se para o Pacífico e para as Américas.

 

Prevenção

 

Desde o nível municipal, passando pelo estadual, federal, e até o nível internacional, a prevenção da dengue é bastante precária. Na maioria das cidades brasileiras, por exemplo, os postos de vigilância sanitária, quando existem, atuam apenas em reduzido horário comercial e não fazem plantões nos fins de semana. Sendo assim, não podem ser contactados sequer por telefone, para consultas e dúvidas de um cidadão ou para emergências.

 

De tempos em tempos, principalmente às vésperas das eleições, os departamentos de saúde fazem campanhas contra a dengue, distribuindo folhetos aos moradores com instruções de como eliminar os mosquitos e as larvas. Essas instruções frisam principalmente a limpeza dos quintais, a retirada de pneus velhos, latas e recipientes que possam acumular água da chuva e favorecer a criação de larvas do Aedes egypti. Em algumas cidades, onde a vigilância sanitária é um pouco mais atuante na prevenção, os fiscais vistoriam os quintais das casas e os terrenos baldios, e em casos extremos fazem dedetização, em geral depois que algum foco de dengue tenha sido detectado.

 

Sintomas e Diagnóstico

 

A dengue é caracterizada por um aparecimento súbito de febre alta, acompanhada de fortes dores de cabeça e dores musculares e nas juntas, náusea, vômito e erupções, de acordo com o NCID. Essas erupções podem aparecer em 3 a 4 dias depois da febre.

 

A infecção é diagnosticada por teste sangüíneo, que detecta a presença do vírus ou de anticorpos. A doença pode durar até 10 dias, informa o NCID, mas a completa recuperação pode levar de 2 a 4 semanas. A Divisão de Doenças Infecciosas do NCID também relaciona com a dengue as manifestações de mialgias e artralgias, leucopenia, trombocitopenia e manifestações hemorrágicas, produzindo até mesmo, às vezes, choques hemorrágicos.

 

Assim, a infecção por vírus da dengue produz um espectro de doença clínica que varia de uma síndrome viral não específica até a severa e fatal doença hemorrágica. Fatores importantes de risco para o DHF (dengue hemorrágica) incluem a cadeia e o sorotipo do vírus infectante, bem como a idade, o status imunológico e a predisposição genética do paciente.

 

O pesquisador Beasley, em seus estudos, conclui que a febre dura em geral de 4 a 6 dias e termina com uma crise de suor que nos adultos pode ser seguida de outra erupção e de um curto período de febre.

 

Áreas de Risco

 

As áreas de risco têm se expandido por todo o mundo, sendo sempre mais altas nas zonas urbanas, e podendo-se citar a presença do mosquito na África, Sul da Ásia e China, Índia, Oriente Médio, América do Sul, América Central, Caribe, Austrália (cuja vizinha, Nova Zelândia, está livre de dengue).

 

Na América do Sul, os países atingidos são a Bolívia, o Brasil, a Colômbia, o Equador, a Guiana Francesa, o Paraguai, o Peru, o Suriname e a Venezuela.

 

No Brasil, as maiores áreas de risco são toda a costa do Atlântico, começando no sudeste pelo o Estado de São Paulo, indo até o norte. Algumas áreas do centro-oeste também são infestadas pelo mosquito. As demais áreas, embora não sejam consideradas de risco, também podem ter a presença indesejável do Aedes.

 

População de Risco

 

A cada ano, relata o NCID, dezenas de milhões de casos de febre da dengue ocorrem e, dependendo do ano, até centenas de milhares de casos de DHF, ou seja, dengue hemorrágica. Felizmente, os casos fatais de DHF, que são encontrados mais entre crianças e adultos jovens, ainda não ultrapassaram 5%.

 

Onde existe um aglomerado de pessoas, principalmente nas casas ou ao redor delas, aí está o Aedes tentando obter seu alimento através do sangue humano e, ao mesmo tempo, inocular no corpo humano o vírus da dengue.

 

Segundo o NCID, em 1995, foram encontrados nas Américas cerca de 250 mil casos de DF (dengue) e 7.000 casos comprovados de DHF (dengue hemorrágica).

 

Embora não seja predominante em áreas mais frias e altas, foram encontrados entre 100 e 200 casos suspeitos, introduzidos a cada ano pelos viajantes nos Estados Unidos.

 

Época de Risco

 

O mosquito é mais ativo durante o dia e é encontrado principalmente em áreas urbanas, preferindo sempre o ambiente dentro de casa. Durante o dia, portanto, os cuidados com a presença do mosquito devem ser redobrados.

 

As ocorrências de epidemias são sazonais, em geral durante as chuvas ou imediatamente logo depois delas, e isso vale para qualquer região do planeta, principalmente as regiões mais quentes ou tropicais.

 

Tratamento e Custo

 

O tratamento, nos casos mais severos, devem ser feitos no âmbito hospitalar. Os custos para se erradicar o mosquito são muito mais baixos que os custos do tratamento da doença, principalmente em casos de epidemia – e é curioso que, mesmo assim, o Aedes egypti tenha sobrevivido no mundo por mais de dois séculos, sem nenhum aceno por parte dos países de um concreto esforço internacional para debelar a dengue que se manifesta mais grave de tempos em tempos.

 

Programas de Erradicação

 

Nenhuma vacina está disponível atualmente, nem estará disponível antes de 5 ou 10 anos, informa o NCID, embora existam pesquisas neste sentido.

 

O Dr. Beasley é um dos pesquisadores australianos que desenvolve estudos onde relata que a vacina mais eficaz será aquela capaz de garantir imunidade para os quatro tipos de vírus da dengue.

 

Enquanto as pesquisas avançam lentamente, resta aos governos intensificar os programas de erradicação do mosquito, mas desde já o NCID relata que não existe controle efetivo nos países endêmicos.

 

e, muitas vezes, sem saneamento básico e sem instalações hidráulicas que possibilitem água adequada, informa o NCID, tendem a agravar o problema.

 

Outra causa de maior índice de transmissão da dengue atualmente tem sido o meio de transporte entre as populações dos trópicos, por via aérea (viagens de avião), resultando em um constante intercâmbio de vírus desta e de outras doenças.

 

E por fim, esclarece, na maioria dos países a infra-estrutura de saúde tem deteriorado. Os recursos financeiros e humanos limitados e as outras prioridades resultaram, diz o NCID, em uma "mentalidade de crise", em que métodos de controles só são aplicados nas epidemias quando já estão acontecendo, ao invés de se instalarem sistemas preventivos, antes da epidemia surgir.

 

Nas maiores cidades do Estado de São Paulo, a Vigilância Sanitária informa que já existem alguns simulacros de programas de erradicação do Aedes, com dedetização feita nas ruas, visitas domiciliares e inspeções em terrenos urbanos. Mas esses programas só fazem conter o avanço do Aedes egypti em pequena escala, necessitando muito mais ação para que o controle total seja eficaz.

 

Em Caso de Viagens

 

O NCID relata que não há exigências quanto a pessoas que viajam de um país para outro para a questão da dengue. Mesmo assim, algumas precauções podem ser tomadas tanto para viagens internacionais como para viagens domésticas.

 

Toda e qualquer pessoa que tenha que se locomover até uma área considerada de risco deve se prevenir na medida do possível, indo a um posto de saúde ou conversando com seu médico para saber que cuidados tomar, já que ainda não existem vacinas, além de levar um bom repelente na bagagem.

 

A hidratação e a alimentação saudável são fatores que ajudam a fortalecer o organismo. Em casos de viagem, a pessoa não deve cometer excessos, provando inclusive alimentos típicos de outra região a que o viajante não esteja habituado, para não predispor seu organismo à debilitação que, em caso de dengue, só tende a agravar o problema. Um médico deve aconselhar sobre o uso e os cuidados com repelentes, aerosóis e dedetizadores.

 

Fonte: Artigos de Saúde da Internet

 
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Decisões relacionadas a tratamento de pacientes devem ser tomadas por profissionais autorizados, considerando as características de cada paciente.

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